Por Magna dos Rêis Ferreira Vinhal Alterar tamanho da fonte: A+ | a-Saúde do Bancário (LER/DORT)
LER/DORT Lesões por Esforços Repetitivos/Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao trabalho(2) As drásticas mudanças tecnológicas, somadas à ganância capitalista pela acumulação de riquezas, têm levado a classe trabalhadora a inúmeros desgastes psicológicos e físicos, tais como as doenças ocupacionais.
As lesões ósseas e musculares, acompanhadas de irritabilidade, insônia, ansiedade e depressão, são os problemas de saúde de maior incidência entre as atividades do ramo financeiro.
Já está largamente comprovado que o adoecimento da categoria bancária está diretamente relacionado à sobrecarga e à repetição sem descanso das rotinas diárias, ao lado da pressão psicológica pelo cumprimento de metas que permeia o cotidiano desses trabalhadores. Os regimes de horários impostos, a intensidade das tarefas e as cobranças de desempenhos contribuem dramaticamente para o adoecimento dos trabalhadores bancários.
Paralelamente, a legislação do País aos poucos inicia a criação de jurisprudência própria para coibir e punir devidamente as práticas empresariais que retribuem a dedicação e empenho dos seus funcionários com o prejuízo de sua saúde e de sua capacidade produtiva. Também, tentar ressarcir minimamente o prejuízo daqueles que perderam parcial ou totalmente seu mais valioso e muitas vezes único patrimônio: sua força de trabalho.
A aplicação dessa legislação dará ainda mais solidez às negociações entre os trabalhadores e os setores patronais, no sentido de eliminar as condições prejudiciais à saúde, reduzindo os riscos ao mínimo.
Na prática, isso significa reorganizar a gestão empresarial, humanizando as relações de trabalho, de modo que a busca pelos lucros não seja mais importante que a própria vida dos funcionários. Ou seja, AÍ VEM LUTA: A MESMA DEDICAÇÃO DADA À EMPRESA E AO EMPREGO SERÁ NECESSÁRIA PARA QUE NÃO SE PERCA A SAÚDE PERSEGUINDO O CUMPRIMENTO DAS METAS E OS LUCROS BILIONÁRIOS DOS BANCOS (O espantoso lucro divulgado dia 06/08 pelo Bradesco foi ultrapassado pelo Itáu. O banco lucrou, no primeiro semestre de 2007, R$ 4,016 bilhões, contra R$ 4,007 bilhões do concorrente.).
Assim como o aquecimento global, a saúde do trabalhador tem merecido maior atenção mundial. Tão importante quanto garantir a preservação das espécies é a urgência de controlar, reduzir e buscar a erradicação do adoecimento nos locais de trabalho, garantindo a saúde e a qualidade de vida da população mundial. O que antes eram queixas localizadas de exploração do trabalho, agora têm proporções intercontinentais.
OS NÚMEROS DE ADOECIDOS REGISTRADOS PELO SINDICATO Em levantamento realizado pela Secretaria de Saúde do Sindicato dos Bancários de Patos de Minas e Região, em agosto de 2007, com relação ao número de lesionados houve considerável aumento. (Gráfico 1)
Em novembro de 2001, a pesquisa “OS ROSTOS DOS BANCÁRIOS DE PATOS DE MINAS E REGIÃO – um estudo sociodemográfico e de adoecimento da categoria e suas relações com o gênero” realizada pela Secretaria de Saúde registrou 42 CASOS DE BANCÁRIOS COM LER/DORT (sendo: 24 mulheres e 18 homens), num universo de 523 bancários contra 52 CASOS (sendo: 32 mulheres e 20 homens), detectados em 2007, num universo de 540 trabalhadores. Então, nessa mesma proporção seriam, hoje, 43 CASOS DE BANCÁRIOS COM LER/DORT.
Percebeu-se também que, conforme o Gráfico 2, a maioria dos casos de lesionados são do sexo feminino. Isso porque as mulheres ainda exercem atividades predominantemente de escalões mais baixos e em que a exigência pelo cumprimento das metas é maior e costuma ser mais abusiva.
ATITUDES PREVENCIONISTAS Infelizmente, os banqueiros não estão preocupados com a saúde de seus colaboradores, como eles gostam de chamar os trabalhadores bancários. A última atitude prevencionista que o movimento sindical conseguiu negociar com a Fenaban foi o “Programa sobre Prevenção e Acompanhamento das LER/DORT”, em 1998. O programa não foi bem desenvolvido como prometido porque os bancos não permitiram que os sindicatos acompanhassem/participassem das discussões acerca da implantação. Como por exemplo: os bancos sempre dificultaram a emissão da CAT- Comunicação de Acidente de Trabalho, indo na contramão das indicações do Programa.
Então, as maiores armas para combater as LER/DORT nos locais de trabalho é a informação e a organização dos trabalhadores. É essencial que os bancários desenvolvam a percepção sobre determinados sintomas e procurem assistência rapidamente. As lesões têm caráter epidêmico e, freqüentemente são incapacitantes e ainda assim o INSS costuma retornar os lesionados ao trabalho.
A Secretaria de Saúde do Sindicato dos Bancários de Patos de Minas e Região investe em AÇÕES COLETIVAS: orienta aos bancários através de seus informativos, cartilhas e CDROM quanto aos seus direitos e discute os problemas relacionados às doenças ocupacionais, em suas negociações com os banqueiros em Mesa Temática.
Infelizmente, há quase 10 anos os banqueiros não querem negociar. Apenas querem explorar a saúde dos bancários.
Nessa Campanha Salarial colocamos como um dos eixos centrais de nossa luta “Saúde e Condições de Trabalho”, juntamente com os itens econômicos.
Os bancos têm o dever de melhorar as condições de trabalho dos seus empregados. Vamos continuar exigindo equipamentos e mobiliários adequados, pausa para quem trabalha com entrada de dados, respeito à jornada de seis horas, fim do acúmulo de função, da sobrecarga de trabalho, da pressão por produção e fim das demissões. Nossa luta também é pela isonomia de direitos nos bancos públicos. Essa distorção é resultado de uma política de corte de gastos com pessoal a partir da retirada de conquistas dos trabalhadores. Temos que lutar pela isonomia também para os lesionados ou afastados do trabalho por outras doenças.
Pelo fim das metas abusivas: cada vez é maior o número de bancários acometidos por doenças como estresse, lesões por esforços repetitivos, depressão, distúrbios psicológicos, dentre outros males. A pressão para o cumprimento de metas inatingíveis adoece o ambiente de trabalho. A luta contra a cobrança de metas abusivas e o assédio moral é de toda a categoria bancária. Nesta Campanha será preciso denunciar essas práticas cotidianas que obrigam os bancários a se tornarem vendedores de produtos.
A entrada em vigor, em 2 de abril de 2007, do Nexo Técnico Epidemiológico Previdenciário (NTEP)pode reduzir a subnotificação de doenças nos próximos anos o que permitirá conhecer melhor a realidade da saúde do trabalhador, identificar empresas que adoecem seus empregados e traçar políticas de prevenção mais adequadas. O nexo técnico trata da relação entre trabalho e doença e altera a Classificação Nacional de Atividades Econômicas (Cnae).O trabalhador acidentado não será mais obrigado a comprovar que o trabalho lhe causou a doença. Caberá a empresa provar, se achar que foi o contrário. No caso dos bancários, a maioria das doenças do sistema músculo-esquelético (LER/DORT) e dos transtornos psíquicos são atribuídos, por princípio, às condições de trabalho. Assim, se o motivo do afastamento do trabalho for um dos males relacionados na lei e na IN-Instrução Normativa, o INSS utilizará o critério epidemiológico e indicará a concessão do auxílio-doença acidentário (B91), independentemente da emissão da CAT.
Magna dos Rêis Ferreira Vinhal Secretária de Saúde do Sindicato dos Bancários de Patos de Minas e Região
Notas:
LER/DORT - Assim denominada por meio de uma OS – Ordem de Serviço 606, do Ministério da Previdência, publicada em 20 de agosto de 1998, no governo FHC. Objetivo: diminuir estatisticamente o alto índice de acidentes de trabalho e dificultar e até cortar benefícios dos lesionados.
NTEP - Conforme Lei 11.430, de 26 de dezembro de 2006, Decreto 6.042, de 12 de fevereiro de 2007 e Instrução Normativa do INSS nº 16, de 27 de março de 2007.
fonte: http://www.bancariosdepatos.org.br/index.php?view=article&catid=16%3Asa&id=313%3Asado-banco-lerdort&option=com_content&Itemid=70 Sindicato dos Bancários
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