O suicídio da humanidade - pare de parir



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Reflexões

16/06/2008 - O suicídio da humanidade - pare de parir

Por Eng. Heitor Reis

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"E vi um novo céu, e uma nova terra.
Porque já o primeiro céu e a primeira terra passaram,
e o mar já não existe." (Apocalipse 21:1)

Pare de parir!

Assim, tentava eu enfatizar a tese de que há um excesso populacional em inúmeros locais específicos e no planeta de uma maneira geral. Torcia para que o termo um tanto grosseiro produzisse o interesse e a polêmica necessária para forçar a discussão do assunto, sem criar resistências a uma reflexão mais profunda e séria a respeito.

Criticava os militantes dos movimentos ecológicos que geralmente não estabelecem uma relação de causa e efeito entre o nascimento de cada ser humano com a poluição por ele produzida ou pela indústria que satisfaz seus sonhos de consumo. Quanto menos somos, menos poluímos!

Estava no Pré-Encontro de Direitos Humanos de Belo Horizonte, o qual ocorrerá efetivamente dia 03/07/2008. Posteriormente, teremos a Conferência Estadual e Nacional.

Tinha apenas dois minutos para dar meu recado que era uma síntese de longas anotações sobre a manifestação dos oradores presentes, dentre eles Nilmário Miranda, que teve de se ausentar antes de minha fala.

Na missão de rever e divulgar novos conceitos, que representem melhor a realidade, já tinha dito algo sobre o Estado ser privatizado por interesses particulares de uma elite dominante, não sendo uma República, como se diz, mas uma Reparticular. Há uma diferença exorbitante entre nosso Estado Democrático de Direito e um Estado Democrático DE FATO, com o primeiro conseguindo se passar pelo segundo, graças a uma ilusão criada pela mídia: algo como a Matrix.
[ http://www.youtube.com/watch?v=Sv55JusfEC8 ]

Destaquei que há um Direito do Capital, na prática, fazendo com que cada Direito Humano teórico seja desrespeitado. Mesmo no caso da criança que assassina a outra, para levar-lhe o par de tênis. Se a metade de riqueza nacional não estivesse nas mãos de 1 % da população ou ¾ nas mãos de 10 %, esta criança teria tido escola, seus pais emprego, seria cumprida a Constituição, erradicada a pobreza e ela viveria uma vida mais digna. 

Infelizmente, nada há no horizonte, mesmo o mais distante, que nos acene com uma solução neste setor! Assim, sendo praticamente impossível a distribuição da riqueza, a alternativa mais viável é a redução do número daqueles para os quais seria destinada, elevando o tamanho da migalha que cada um recebe.

Fui ainda mais além... Condenei a voracidade na defesa dos Direitos Humanos sem ênfase proporcional nos Deveres Humanos. Como exemplo destes Deveres Humanos, citei nossa obrigação de não nos reproduzirmos irresponsavelmente. Imaginamos que a Natureza seja capaz de se reconstituir independentemente do quanto a destruamos.

Ou seja, caso fôssemos realmente de uma espécie digna de ser chamada homo sapiens, estabeleceríamos um limite no número de pessoas que poderiam habitar ou indústrias serem implantadas em uma determinada bacia hidrográfica, por exemplo, de tal forma a garantir sua recuperação natural dos estragos que lhe fizermos.

Obedecendo naturalmente à lei da oferta e da procura, em função do excesso de indivíduos, a vida humana vale menos que um tostão furado, afrontando-nos diariamente com a violência e impunidade gerada por nossa negligência. Idolatramos o sexo irresponsável e inconseqüente, com o qual poucos sabem lidar, sem ter como subproduto mais um homo poluentis.

"Fundado nos princípios da dignidade da pessoa humana e da paternidade responsável, o planejamento familiar é livre decisão do casal, competindo ao Estado propiciar recursos educacionais e científicos para o exercício desse direito, vedada qualquer forma coercitiva por parte de instituições oficiais ou privadas." (Constituição Federal, artigo 226, parágrafo 7º)

Nem todos são capazes de ter esta consciência de seus atos... Na realidade, a maioria não o é! Os mais lúcidos têm o dever de obrigar o Estado a informar e fornecer os materiais necessários para que cada um tenha o número de filhos que julgar adequado, conforme estabelece a Constituição. Afinal, o Estado, teoricamente, deve realizar a vontade do povo, quando este povo faz por onde isto se tornar realidade. Cada povo tem o Estado, o governo, o meio-ambiente, a vida ou o holocausto que merece.

É nosso Dever Humano fazer publicidade ("recursos educacionais") do destino suicida da humanidade, caso não seja feito algo de extraordinário no sentido contrário.  E com urgência!!!

É nosso Dever Humano provarmos para aqueles católicos e reencarnacionistas que defendem a reprodução sem limite algum, que somos um câncer planetário devorando-nos a todos. Que estamos matando a galinha dos ovos de ouro, esta espessa camada da biosfera, cujo resultado será exatamente o contrário do que eles gostariam: nosso extermínio.

É Dever Humano considerarmos a sobrevivência de nossa espécie como mais relevante que a do sistema previdenciário, o qual exige o eterno crescimento da população para saldar com o debito produzido pela má gestão da contribuição dos trabalhadores. 

Haja CPMF!... Poucos sabem que já foi desviado mais de 1 trilhão de reais do fundo previdenciário para  construção de Brasília, Transamazônica, Ponte Rio-Niterói, Polo Petroquímico de Camaçari, Itaipú, etc., valores que jamais retornaram ao chamado cofre único do Estado. [ http://www.midiaindependente.org/pt/red/2003/05/254435.shtml ]

É nosso Dever Humano adequarmos o número de habitantes e indústrias à capacidade da Natureza se regenerar em cada quarteirão das grandes cidades, em cada vila e em córrego do interior, etc. Devemos levar em consideração a poluição que geramos em função do atual estágio tecnológico em produzi-la e tratá-la, bem como a capacidade da economia para gerar empregos dignos para todos. 

Sem isto, estaremos dando um atestado de nossa infinita estupidez, ao decretarmos, o suicídio coletivo de nossa espécie! 

Desta forma, estaremos provando, cientificamente, que há dois mil anos atrás, alguém foi além do véu do tempo e nos avisou das conseqüências de nossa incompetência e desgraça, dando-nos, como o profeta Jonas teve, em Nínive, a oportunidade de evitá-la.

Assim, também, poderá ser também cientificamente constatado que nem todos entrarão neste novo paraíso, certamente ficando de fora, aqueles que não amaram seu próximo o suficiente para garantir a vida das próximas gerações. Coisa, aliás, que a Constituição assegura, teoricamente...

 "Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao poder público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações."  (Art. 225)

Mais detalhes em "A Função Social do Sexo":http://www.ebookcult.com.br/acervo/livro.php?L=761&cat=SEL000000


(*) Heitor Reis é engenheiro civil, militante do movimento pela democratização da comunicação e membro do Conselho Consultor da CMQV - Câmara Multidisciplinar de Qualidade de Vida (www.cmqv.org). Nenhum direito autoral reservado: Esquerdos autorais ("Copyleft"). Contatos: (31) 3243 6286 -  heitorreis@gmail.com
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FRANCISCO DE LIMA GOMES - 07/12/2014 14:13
Heitor, gostei muito da sua definição para o SIMULACRO de DEMOCRACIA em que a UTOPIA do "Estado Democrático de DIREITO" se passa pela REALIDADE do "Estado Democrático DE FATO" (o que temos). Pela explosão demográfica do Brasil devemos AGRADECER à Igreja Católica com a sua repulsa a qualquer método contraceptivo e outras tolices muito bem planejadas. E por quê? Na verdade, a ICAR é contra o ABORTO BIOLÓGICO para ter muita massa para o "bel prazer" (dela e dos Políticos e Assistencialistas de Plantão) no ABORTO SÓCIO-ECONÔMICO (aborto em vida). Também - e tão bem - conhecido como "exclusão social".
João Alberto Pereira da Silveira - 18/06/2009 15:38
Muito bom o artigo. Cada um tem que ter a responsabilidade pelo meio ambiente. Tem um ditado que não sei se é meu ou não, mas eu o pratico todos os dias e todos os momentos. É o que estou fazendo agora: "Se você se respeita, se respeita o outro, se respeita a NATUREZA, está direta e indiretamente cumprindo os Dez Mandamentos de qualquer religião e as Leis de qualquer país civilizado e democrático". Eu não jogo nada na rua. Não fumo e não masco chicletes. Aqui em casa o lixo é separado entre orgânico e reciclável. Procuro sempre conversar com as pessoas, sempre tomando o cuidado de saber que "não sou o dono da verdade". Também fiz a minha parte: Não tive nehum filho.
Luiz H G Patriota - 30/08/2008 11:02
Muito bom! Finalmente alguém sensato!

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