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Reflexões

10/02/2004 - A bem da verdade

Por Osny Telles Orselli

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Em 30/12/2003, escrevi um artigo – A Transparência do Governo Marco Aurélio –   divulgado pela imprensa e, posteriormente, por outros órgãos da mídia, inclusive eletrônica.

Neste artigo, elogiávamos o Governo do PT do Prefeito Marco Aurélio em pontuais situações: Plano Diretor, Pedido à Câmara para aprovar projeto que permite ao município co-gerar energia, e pela maneira como os assunto foram tratados: transparência e diálogo com as entidades de classe, com a sociedade, com rumos claros dos objetivos e, por que não, ética. No mesmo artigo, cobrávamos o mesmo procedimento para o, agora tão propagado, PROJETO de revitalização do Centro da Cidade – Praças, Avenidas, Remoção dos trilhos, Coreto, Fonte, etc. -, porquanto havíamos tomado conhecimento, pelos jornais, que a obra teria início em 02/01/2004 com a retirada dos trilhos.
Fim de ano e férias, mas o que sabemos de concreto é que, sabiamente, o Prefeito decidiu adiar a obra e convidar a população para uma apresentação do PROJETO. Permitiu-se perguntas por escrito. Não era o que esperávamos, mas, mais uma vez, o espírito de estadista do Prefeito sobrepôs-se, felizmente, a outros eventuais interesses ou “conselhos”. Durante esta apresentação, descobriu-se – pois este projeto jamais havia sido discutido ou falado até entre colegas – que a coisa era muito maior do que se pensava e que os projetos anteriores, que consumiram meses da Secretaria de Planejamento, haviam sido substituídos por outro, aparentemente preparado em São Paulo. Também ficou patente que o PROJETO terá repercussões com outros interesses da Cidade, interfaces, cujo bom senso sugere que o mesmo deveria ser muito mais discutido e aprofundado com vários seguimentos da Cidade, principalmente com os seus técnicos, associações de classe e conselhos municipais.
Com se sabe, e disso a Prefeitura tem ciência, os Governos Federal e Estadual, cada um do seu lado, à luz do que acontece no mundo todo atualmente, há uma  priorização e incentivo do uso do transporte ferroviário. Além disso, durante a apresentação, TODOS concordaram que o PROJETO poderia ferir o Plano Diretor e, no mínimo, não havia sido estudada à exaustão – como pediu Brasília -, a retirada dos centenários trilhos.
O Plano Diretor é claro quando determina a mitigação (diminuição) do trânsito do centro priorizando o pedestre. O PROJETO prevê uma avenida cortando o centro, trazendo mais trânsito e certamente dificultará a vida do pedestre. O PROJETO não contempla qualquer menção a anéis viários, interface com a velha ou nova (?) rodoviária, por exemplo.
O Estatuto da Cidade (Lei Federal) determina uma série de procedimentos que não foram e não estão sendo seguidos para um projeto desta envergadura, possibilitando uma enxurrada de protestos, representações jurídicas, etc. de pessoas que não querem, de VERDADE, o progresso de Jacareí: Queremos um projeto viável, técnico, que preveja a sua expansão por anos e anos e não apenas uma obra coincidentemente em ano eleitoral.
Deixamos a sala Mário Lago na sexta-feira dia 16/01, técnicos da Prefeitura, Prefeito e todos nós, pessoas que querem realmente e de VERDADE uma revitalização do centro, aliviados, todos de braços dados, pois, podíamos em conjunto, formar uma força tarefa para, nos próximos dias, discutir, sugerir, contribuir, sem qualquer conotação política, eventuais modificações no projeto e exaurir as soluções com ou sem trilhos como pede e solicita o pessoal de Brasília. 
No entretanto, o que se viu no sábado e domingo imediatamente seguintes, foi uma movimentação até meio cômica se não fosse trágica, de um pequenino setor da prefeitura – que não pertence ao PT – que botou tudo por água abaixo, pois tentou colocar alguns membros do Contur contra outros, numa manobra digna dos tempos do velho oeste americano (com peito empinado e tudo).
Agora mudou o enfoque do Prefeito, mais uma vez mal assessorado, pois em ressente coletiva à imprensa, menciona trinta anos de luta inglória, agora “vencida”, com a destruição dos centenários trilhos alegando que isto é o “sonho dos jacareienses” (sic).
Mesmo sem mencionar o que se poderia fazer com os centenários trilhos e sua centenária estação, a população está dividida quanto a retira dos mesmos: Vide as entrevistas dos jornais.
Durante a entrevista coletiva dada pelo Prefeito, gravada e disponível em vários sites, percebe-se a fragilidade da coisa: “O Contur entrou com uma representação junto ao MP para a não retirada dos trilhos”. A VERDADE é que algumas pessoas consultaram o MP sobre a legitimidade do PROJETO. “Tem um documento oficial do Contur com 17 assinaturas obtidas pelo Secretário recém nomeado, DIDI Gaiola, que nós dá acordo para a retirada dos trilhos e lutar na Justiça”. A VERDADE é que não há qualquer documento oficial do Contur cujas 17 assinaturas digamos obtidas (é o que foi informado) não se sabe como, sem qualquer participação do Contur - um Conselho Legitimamente Constituído - sem qualquer assembléia, sem reunião, cujo teor o Contur desconhece.
Na entrevista Coletiva há referência en passant, à Presidente do Contur Arq. Vivien Anselmo, informando que ela está contra. Ela está apenas a favor da cidade como foi discutido durante a reunião na sala Mário Lago sendo chamada ao final pelo Prefeito que queria lhe dar um abraço (e recebeu emocionada) por ter levantado questões super pertinentes. 
Há uma referência à minha pessoa, o que, de público, agradeço, como um entusiasta do trem turístico. Realmente, gostaria, como muitos colegas, de ver o trem turístico, previsto para apenas uma vez por semana, pequeno, super lento, que jamais atrapalhará o trânsito, (será que este povo já viu um trem deste tipo?) homenageando a história da cidade, fazendo propaganda dos produtos aqui fabricados, oxigenando o comércio, pois raras são as cidades que podem contar com esta alavanca para incrementar o comércio e o turismo. (É só ver algumas cidades norte-americas). Jacareí seria uma atração só para ver o trem passar e parar na Estação, mesmo uma vez por semana. È o que querem as autoridades de turismo de Brasília, do Estado e entidades afins como a AMITUR. Vamos na contramão de novo?
E o PROJETO, a praça, a avenida, calçadões, estacionamentos, enquadramento com o Plano Diretor, cumprimento da Lei Federal do Estatuto da Cidade, como é que ficam?
Como será a reação do Fiscal das Leis diante desta atrapalhada? E o Prefeito Marco Aurélio? Será que, mais uma vez, escutará e auscultará aqueles que amam de VERDADE a cidade, e que ele mesmo já teve a oportunidade de constatar, independentemente de eventuais cores partidárias, que são leais a ele?
Osny Telles Orselli
É Engenheiro, Empresário do ramo ergonômico, Presidente do Conseg de Jacareí, Conselheiro do Contur e membro de várias entidades e associações de classe de Jacareí, do Vale do Paraíba, do Estado de São Paulo e Internacionais. Escolheu Jacareí para ali trabalhar e morar apesar de, à época, ter outras opções.
Este artigo foi escrito um dia antes do Prefeito ter retirado uma parte dos trilhos com fogos e banda de música, contrariando recomendação do MP Federal  em adiar por alguns dias a festa, porquanto o MP entendeu muito bem o que queremos:  Apenas discutir e abordar as alternativas eventuais e estudar a exaustão o projeto da Praça. Com ou sem trilhos.
Infelizmente, Sua Excia vem fazendo alusão a possível ação política partidária, justamente após ter gasto uma fortuna em propaganda na TV, Rádio e jornais, pedindo que a população presenciasse o ato de agressão ao patrimônio histórico. Poucas pessoas compareceram ao ato mesmo a Prefeitura tendo “convidado” seus colaboradores a deixar seus escritórios e ali comparecer.  Participação partidária, vindo do PT é uma besteira. O que a gente quer,é falar, participar, o que aliás o PT prega e o faz, pero no mucho.
O que o MP fará a partir de ser desafiado, só o tempo dirá. Mas confiamos em suas ações em defesa do país, da cidadania e de nossas riqueza, punindo aqueles que galhofam com a ingenuidade do povo, que jogam fora inúmeras oportunidades para o real progresso da cidade, que não cuidam com seus valores históricos e, ainda,  desperdiçam numerário do erário. 


Publicado como Editorial de vários jornais do Vale do Paraíba
 
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