Hospícios, penitenciárias e hospitais



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Reflexões

Hospícios, penitenciárias e hospitais

Por Heitor Reis

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Aquecidos e embalados pelo agito natural do Encontro Nacional de Saúde Mental ocorrido em Belo Horizonte-MG nesta semana, meus incansáveis neurônios perceberam uma certa lógica na forma como a Sociedade trata seus enfermos psíquicos, sociais e físicos. O evento foi uma promoção do Conselho Federal de Psicologia (CFP) e da Rede Nacional Internúcleos de Luta Antimanicomial.

Enquanto fazia a cobertura radiofônica, convivia e entrevistava pessoas como Marcos Vinícius de Oliveira, Vice-Presidente do Conselho Federal de Psicologia (CFP), Humberto Verona, Presidente do Conselho Regional de Psicologia (CRP) de MG, Mark Napoli, Coordenador da Rede Nacional Internúcleos de Luta Antimanicomial, Graziela Reis e o Anselmo Duarte, conselheiros do CRP, e Maria do Rosário Lopes, Vice-Presidente da Associação Mineira de Saúde Mental (Asussam), a ficha foi caindo e eu pude compreender melhor o sistema de saúde. Veja, ao final, endereços de arquivos das entrevistas em áudio MP3 disponíveis na internet para audição e veiculação gratuita em emissoras comunitárias e comerciais. Outros mais poderão ser adicionados em breve.




Hospícios, penitenciárias e hospitais mostram que a tendência natural sempre foi excluir os enfermos da sociedade, como se fazia com os leprosos no tempo de Cristo, hoje tratados por hansenianos. Eram obrigados a se retirar para fora da cidade, impedidos de afrontar a sociedade local com sua aparência e a suposta possibilidade de contágio, condenados e desprezados como estando em pecado, pela religião da época.



Hoje, a luta antimanicomial já venceu a metade da guerra contra esta cultura, tendo fechado mais de 50.000 leitos dos mais de 100.000 existentes em 1980. Claro que, de acordo com meus entrevistados, o negócio não é apenas tirar do manicômio o portador de transtorno mental  e soltá-lo nas ruas ou devolvê-los para suas casas. É necessário uma ampla estrutura de suporte para permitir sua integração natural à sociedade, bem como um tratamento psiquiátrico e psicológico suficientes para ajudá-lo neste processo.


Segundo eles, também é fundamental o tratamento da família, que, como a minha, padece muito com os desatinos de minha irmã, querendo vê-la pelas costas e interná-la o mais breve possível, durante suas crises, já que ela relutava, até há pouco tempo, em freqüentar o Cersam - Centro de Referência de Saúde Mental, conhecido no resto do país como Centro de Atendimento/Apoio/Atendimento Psico-Social (CAPS). Ali, os casos mais graves podem permanecer hospedados até que se encontrem em condições de voltar para a casa.


Certamente o tratamento e até mesmo a reeducação dos parentes que tem mais contato com o paciente, dando-lhes condições de atuar de forma mais profunda sobre a situação, propiciará uma recuperação mais rápida e menos traumática para todos.


Para acabar com os hospícios, há um programa do Estado chamado "De volta para casa", propiciando recursos materiais para aqueles que permaneceram muito tempo internados, criando o ambiente necessário para sua ressocialização, inclusive contemplando a ele ou sua família com um salário mínimo. Mas qualquer deficiente físico ou mental também tem este direito, desde que esteja dentro de uma faixa de renda familiar estipulada pela lei que regula esta ajuda.


No caso dos internos por conflito com a lei, estamos muito atrasados em relação aos que ainda sofrem nos manicômios, encontrando-nos na fase da denúncia e no princípio da luta antipresidial. A tendência predominante permanece sendo a construção de penitenciárias e pouco é feito para reintegrar o prisioneiro à sua família e à sociedade, de tal forma que ele não volte mais para a prisão.


Felizmente, já há alguns exemplos de sucesso neste setor, como a Associação de Proteção e Assistência ao Condenado (Apac), onde se obtém um índice de reincidência no crime em torno de 10 %, enquanto no sistema tradicional, isto ocorre com 90 %. A Apac dá um enfoque religioso não obrigatório aos seus educandos, acreditando no valor da fé neste processo, enquanto outros são laicos.
 

Tais projetos enfocam apenas aqueles que cometem delitos menores, os quais são a grande maioria da população carcerária, evitando que estes educandos se tornem discípulos dos criminosos mais experientes. Saindo muito antes que os mestres, e não encontrando uma economia capaz de absorver sua mão-de-obra, em função do desemprego reinante no país, Também  sofrem preconceito contra os egressos do sistema carcerário. Assim, eles passam a se tornar meros tentáculos daqueles que ainda ali permanecem no controle do crime organizado.


Certamente, há também, dentro dos presídios, um bom número de condenados que carecem de tratamento psiquiátrico e psicológico para também poderem se estruturar melhor e conviver harmoniosamente com a sociedade, que deveriam receber uma atenção dos especialistas do setor, através de uma futura legislação similar à antimanicomial.


Da mesma forma que o manicômio "matava" seus pacientes, anulando sua atividade mental e impedindo seu desenvolvimento psíquico e social, por isolá-los dos demais, o sistema penitenciário aumenta a criminalidade, ao invés de reduzí-la. Assim, o Sistema Conselhos Regionais e Federal de Psicologia defende que seja aplicada para as penitenciárias filosofia análoga à adotada com sucesso para tratamento dos portadores de sofrimento mental. O processo de degradação do sistema tradicional fica cada vez mais explícito, com as rebeliões e crimes oriundos de dentro delas, especialmente em SP.


Ainda em estágio mais atrasado encontra-se o processo de desospitalização dos doentes físicos, mas a medicina vem descobrindo as vantagens do tratamento caseiro e preventivos, criando equipes de visitas domiciliares,  bem como constatando os efeitos positivos da recuperação de enfermidades, quando o paciente volta o mais rápido para casa, onde o risco de infecção hospitalar é zero.


Aos poucos, a Sociedade vai concluindo que um local com grande acúmulo de pessoas doentes, seja de que natureza for, não se torna saudável para a recuperação delas, trazendo prejuízos para todos. Se este processo continuar no ritmo em que se encontra a luta manicomial, esta geração ainda poderá viver em um mundo sem manicômios, sem penitenciárias e sem hospitais.


Mais informações sobre o Encontro Nacional de Saúde Mental e de outras atividades similares, fruto da função social desempenhada pelas entidades promotoras, em www.cfp.org.br e www.crp04.org.br .











Endereços dos arquivos citados no início do texto, enfocando avaliação do Encontro Nacional de Saúde Mental, que se encerrou esta semana em BH/MG:


Áudio de entrevista com Marcus Vinícius, Vice-Presidente do Conselho Federal de Psicologia (CFP), Marcus Vinícius Oliveira.
 http://brasil.indymedia.org/media/2006/07//357880.mp3


Áudio da entrevista com Humberto Costa Verona, Presidente do Conselho Regional de Psicologia, abordando o tema Clínica Antimanicomial.
 http://brasil.indymedia.org/media/2006/07//357886.mp3


Áudio da entrevista com Humberto Verona, aborda os Centros de Apoio/Atenção/Atendimento Psico-Social (CAPS) ou, como são conhecidos em MG, Centros de Referência em Saúde Mental (CERSAM) na entrevista em MP3.
 http://brasil.indymedia.org/media/2006/07//357890.mp3


Áudio da entrevista com Humberto Verona, numa abordagem geral durante a solenidade de encerramento do Encontro Nacional de Saúde Mental.
 http://brasil.indymedia.org/media/2006/07//357892.mp3


Áudio da entrevista com Mark Napoli, Coordenador da Rede Nacional Internúcleos de Luta Antimanicomial e do Fórum Mineiro de Saúde Mental.
 http://brasil.indymedia.org/media/2006/07//357850.mp3


Áudio da entrevista com Anselmo Duarte, conselheiro do CRP-MG
 http://brasil.indymedia.org/media/2006/07//357827.mp3


Áudio da entrevista com Graziela Reis, Conselheira do CRP-MG
 http://brasil.indymedia.org/media/2006/07//357840.mp3

PÁGINA ORIGINAL
 http://www.midiaindependente.org/pt/red/2006/07/357825.shtml
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Maria Auxiliadora Mozzelli - 22/11/2011 00:34
mariamozzelli@yahoo.com.br
Concordo com a eliminação dos hospicios para doentes mentais, mas convenhamos querer eliminar penitenciarias para bandidos já é demais. Não se pode comparar doença com crimininalidade, ou seja , uma pessoa com depressão, ou outros disturbios psiquicos ser o mesmo que assassinos, corruptos, torturadores, ladroes, estelionatarios, traficantes, etc.
Arnaldo Ribeiro - 18/11/2010 14:49
bibliogenesedeisrael@terra.com.br
REVELAÇÃO/EXORTAÇÃO Urge difundirmos na terra, a certeza de que Jesus Cristo já vive agindo entre nós, espargindo a luz do saber em sí, criando Irmãos Espirituais, e a nova era Cristã. Eu não minto, e a Espiritualidade que esperava pela sua volta, pode comprovar que digo a verdade. Por princípio, basta recompormos as 77 letras e os 5 sinais que compõe o título do 1º. livro bíblico, assim: O PRIMEIRO LIVRO DE MOISÉS CHAMADO GÊNESIS: A CRIAÇÃO DOS CÉUS E DA TERRA E DE TUDO O QUE NÊLES HÁ: Agora, pois, todos já podem ver que: HÁ UM HOMEM LENDO AS VERDADES DO SEU ESPÍRITO: ÊLE É O GÊNIO CRIADOR QUE ESSA AÇÃO DE CRISTO: (LC.4.21) – Então passou Jesus a dizer-lhes: Hoje se cumpriu a escritura que acabais de ouvir: (JB.14.17) – O Espírito da verdade que o mundo não pode receber, porque não no vê, nem conhece, vós o conheceis; porque Ele habita convosco e estará em vós.(MT.14.27) – Tende ânimo! Sou Eu: Não temais: (JB.2.5) – Fazei tudo o que Ele vos disser, (JB.5.27) – porque é o Filho do Homem: (JÓ.9.19) – Se se trata da força do poderoso Ele dirá: Eis-me aqui: Regozijai-vos e fazei jus ao poder que o Nosso Espírito traz às Almas Justas, para a formação da verdadeira Cristandade. (MT.26.24) – O FILHO DO HOMEM VAI, COMO ESTÁ ESCRITO A SEU RESPEITO, MAS AI DAQUELE POR INTERMÉDIO DE QUEM O FILHO DO HOMEM ESTÁ SENDO TRAIDO! MELHOR LHE FÔRA NÃO HAVER NASCIDO: E, ao recompormos as 130 letras e os 7 sinais que compõem esse texto, todos já podem ler, saber, e entender quem é o Filho do Homem: E O FILHO DO HOMEM É O ESPÍRITO QUE TESTA AS ALMAS DO HOMEM E DA MULHER, NA VERDADE DO SENHOR, COMO CRISTO: E EIS A PROVA QUE O FILHO DO HOMEM FOI TREINADO NA LEI CRISTÃ: (MC.14.41) – Chegou a hora, o Filho do Homem está sendo entregue nas mãos dos pecadores: E hoje, quem desejar interagir conosco na obra comum da nossa criação, deve fundamentar-se n`A Bibliogênese de Israel; que já está disponível na internet (Editora Biblioteca 24x7). E quem não quiser, pode continuar vivendo de esperança vã, assistindo passivamente a agonia da vida terrena, à par da auto-destruição do nosso planeta...

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